Durante o webinar “Transformação Digital e IA: A Nova Arquitetura da Empresa Agêntica”, promovido pela APIPASS, especialistas discutiram por que a adoção de inteligência artificial nas empresas deixou de ser apenas uma questão de ferramentas e passou a exigir integração de sistemas, dados estruturados e uma nova arquitetura operacional.
Ao longo da conversa, Thiago Otto, especialista em transformação AI-first e redesenho operacional, Carlo Till, focado em adoção real de IA e mudança organizacional, e Valdemir Silveira, CEO da APIPASS, compartilharam insights sobre os desafios reais da transformação AI-first, os erros mais comuns na adoção de IA e o que muda, na prática, quando agentes inteligentes passam a operar conectados aos sistemas e processos das empresas.
O principal ponto debatido durante o webinar foi claro: IA sozinha não transforma operações. Sem integração, governança de dados e revisão dos fluxos operacionais, empresas correm o risco de apenas adicionar novas tecnologias sobre estruturas antigas.
Thiago destacou que muitas organizações ainda tentam aplicar inteligência artificial em sistemas e processos criados em uma lógica pré-IA. Segundo ele, o problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como as operações foram desenhadas ao longo dos anos.
Essa é uma das razões pelas quais muitas iniciativas de IA acabam não gerando retorno real. Em vez de transformar a operação, empresas apenas automatizam partes isoladas de processos que já eram ineficientes.
Carlo resumiu esse cenário com uma analogia que marcou o webinar. Para ele, a maioria das empresas está “comprando um equipamento novo e instalando nas mesmas tomadas”. Ou seja, adicionando IA sobre uma lógica operacional antiga e chamando isso de transformação digital.
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O desafio da IA deixou de ser acesso à tecnologia
Nos últimos anos, a inteligência artificial se tornou amplamente acessível. Ferramentas baseadas em linguagem natural democratizaram o uso da tecnologia e aceleraram sua adoção em praticamente todos os setores.
O problema agora não é mais acessar IA. O desafio passou a ser estruturar empresas para operar com ela.
Isso exige muito mais do que liberar o uso de um chatbot corporativo ou contratar novas plataformas. Exige revisar processos, integrar sistemas, organizar dados e criar workflows capazes de conectar pessoas, aplicações e agentes inteligentes dentro da operação.
Durante o webinar, Thiago reforçou que empresas AI-first não surgem apenas pela adoção de ferramentas. Elas exigem uma mudança profunda na forma como processos, times e fluxos operacionais são estruturados.
IA sem integração operacional gera apenas automação superficial
Um dos pontos centrais discutidos no evento foi a relação entre inteligência artificial e integração de sistemas.
Valdemir Silveira destacou que muitas empresas começaram a investir em IA antes mesmo de organizar seus dados e fluxos operacionais. O resultado disso são projetos desconectados da operação real, sem contexto suficiente para gerar decisões confiáveis.
A inteligência artificial depende diretamente da qualidade das informações que recebe. Dados fragmentados, sistemas isolados e ausência de governança reduzem drasticamente o potencial de qualquer iniciativa baseada em IA.
Por isso, a nova arquitetura operacional das empresas passa necessariamente por integração.
Ao longo da discussão, Valdemir também trouxe um ponto importante sobre o futuro dos sistemas corporativos. Segundo ele, empresas precisarão repensar não apenas interfaces e usabilidade, mas principalmente sua estrutura de APIs, conectividade e capacidade de interação com agentes inteligentes.
Na prática, isso significa que sistemas deixarão de ser utilizados apenas por humanos. Cada vez mais, agentes de IA irão operar fluxos, interpretar informações, executar tarefas e se comunicar diretamente com outras aplicações.
Esse cenário exige uma infraestrutura preparada para:
- integração entre sistemas
- governança operacional
- observabilidade
- troca confiável de dados
- workflows inteligentes
- automação em escala
É exatamente nesse ponto que integração e orquestração deixam de ser apenas temas de TI e passam a ocupar um papel estratégico dentro da transformação operacional das empresas.
O maior desafio da adoção de IA ainda é humano
Apesar do avanço tecnológico, os especialistas concordaram em um ponto importante: o maior obstáculo da transformação AI-first continua sendo humano.
Carlo destacou que muitas empresas subestimam o esforço necessário para redesenhar papéis, processos e formas de trabalho. Em diversos casos, colaboradores passam a utilizar IA sem que exista uma mudança estrutural na operação.
Isso cria um cenário comum nas organizações: pessoas continuam responsáveis pelas mesmas demandas operacionais de antes, mas agora precisam incorporar iniciativas de IA sem tempo, treinamento ou direcionamento adequado.
Segundo os participantes do webinar, a transformação não acontece apenas pela adoção de tecnologia. Ela depende de:
- capacitação
- reskilling
- mudança cultural
- liderança
- clareza estratégica
- revisão operacional
Thiago reforçou que a melhor pessoa para implementar IA em uma empresa muitas vezes já está dentro da própria organização. Afinal, são os times internos que entendem os processos, sistemas, regras e desafios reais da operação.
Empresa agêntica não significa substituir pessoas
Outro ponto importante discutido durante o webinar foi o conceito de empresa agêntica.
Segundo os especialistas, existe uma diferença importante entre utilizar ferramentas de IA para produtividade individual e estruturar workflows operacionais baseados em agentes inteligentes.
Uma empresa agêntica é aquela em que agentes passam a executar tarefas de forma integrada aos sistemas e processos da organização, operando workflows com maior autonomia e velocidade.
Isso inclui cenários como:
- agentes analisando dados em tempo real
- sistemas conversando entre si via APIs
- workflows automatizados ponta a ponta
- processos operando 24×7
- automações com tomada de decisão contextual
Ao mesmo tempo, os participantes reforçaram que isso não significa eliminar pessoas da operação. O papel humano continua essencial em atividades como análise crítica, tomada de decisão, supervisão, julgamento, estratégia e contexto de negócio.
Durante o webinar, Carlo chamou atenção para um problema ainda muito presente nas empresas: profissionais altamente qualificados desperdiçando tempo em tarefas repetitivas, como copiar informações entre sistemas.
Nesse cenário, a IA não substitui necessariamente o profissional. Ela libera capacidade operacional para que pessoas atuem de forma mais estratégica e gerem mais valor para o negócio.
A transformação AI-first já começou
Os especialistas também destacaram que a transformação impulsionada pela inteligência artificial não é um cenário distante. Ela já está acontecendo.
Empresas estão redesenhando operações, criando workflows inteligentes, automatizando tarefas repetitivas e utilizando IA para acelerar decisões em diferentes áreas do negócio.
Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de estruturar uma base operacional capaz de sustentar esse novo modelo. Isso inclui:
- dados confiáveis
- sistemas integrados
- APIs preparadas para agentes
- governança operacional
- observabilidade
- orquestração de fluxos
- infraestrutura tecnológica preparada para IA
Mais do que implementar novas ferramentas, o desafio agora é construir operações capazes de evoluir continuamente junto com a inteligência artificial.
Assista ao webinar completo
Esses foram alguns dos principais insights discutidos no webinar “Transformação Digital e IA: A Nova Arquitetura da Empresa Agêntica”, promovido pela APIPASS.
Para assistir à discussão completa com Thiago, Carlo e Valdemir Silveira, acesse o webinar completo no YouTube:
